Ferro

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Este painel, composto de 8 peças individuais, é o resultado de semanas a testar e aprimorar esta obscura técnica de fazer fotografias com aguarela e, em paralelo uma meditação sobre o ferro – o composto chave desta técnica – e, subsequentemente, sobre a natureza da matéria.

 

Desde que faço cianotipia que o ferro me fascina, se é que já não me fascinava antes nas suas múltiplas manifestações em objectos rituais ou utilitários arcaicos; um material tão abundante e importante que tem uma Idade da nossa espécie só para si.

 

 

O ferro é foto-sensível, e o cloreto de ferro em particular permite operar a parte mágica (e necessária) do endurecimento da goma arábica saturada de pigmento que vai efectivamente fixar a imagem no papel, e conferir o aspecto de pintura.

 

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Para mim, é uma técnica perfeita no sentido em que acentua o artifício e a imperfeição, objectivos continuados na minha busca pessoal do Belo.

Pinturas que são fotografias que podiam ser desenhos, e que na verdade são representações digitais de esferas impressas em acetato e expostas penosa e demoradamente ao Sol – os pixel visíveis em detalhe, plasmados eternamente em aguarela. Digital – Analógico – Digital – Analógico, um círculo de harmonização.

 

 

As esferas são a minha representação ingénua e possivelmente errónea da estrutura cristalina do ferro, em cubos sólidos como a matéria, cubos como a Terra dos filósofos naturais. Ferro em ferro e cubos feitos de esferas, uma abstracção figurativa e um jogo de meias-verdades.

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